O Banco Central apresentou expectativas para a inflação neste ano e no próximo ano mais otimistas que as do mercado, mas negou a possibilidade de uma queda dos juros neste momento.

De acordo com as projeções de seu relatório trimestral de inflação, o PICA, índica adotado como referência da política de juros, poderá se aproximar da meta de 4,5% em 2017. Para o Banco Central, com os juros atuais e o dólar na casa dos R$ 3,70, a inflação fecharia 2016 em 6,6% (acima do teto da meta, que é 6,5%) e 2017 em 4,9%.

Considerando as previsões do mercado de um câmbio menos favorável, as projeções sobem, respectivamente, para 6,9% e 5,4% – menos otimistas, as expectativas de bancos e consultorias rondam 7,3% e 6%.

Cenário 1

Considera juros estáveis em 14,25% ao ano e dólar a R$ 3,70 durante todo o período IPCA acumulado em 12 meses, em %:

cenario 1 - matéria economia Em relatório, Banco Central prevê inflação fora da meta neste ano

Em tese ao menos, a crença do Banco Central na desaceleração dos preços reforça apostas, que já surgem entre analistas, de uma queda mais rápida dos juros. Afinal, a economia brasileira deve recuar neste ano algo como 3,5%, segundo a projeção do Banco Central, ou 3,66%, para o mercado.

O relatório da instituição, entretanto, afirma que “as incertezas associadas ao balanço de riscos para a inflação não permitem trabalhar com a hipótese de flexibilização da política monetária”.

As incertezas mencionadas começam pelas projeções oficiais ainda acima dos objetivos anunciados pelo Banco Central – que promete “adotar as medidas necessárias” para assegurar um IPCA não superior ao teto legal de 6,5% neste ano e no centro da meta em 2017.

Há também o desequilíbrio recorde nas contas do governo, com um déficit equivalente a 2,1% do PIB nos 12 meses encerrados em fevereiro. Por meio do diretor de Política Econômica, Altamir Lopes, o Banco Central finalmente reconheceu que a política fiscal tem hoje impacto “expansionista” sobre a inflação.

Cenário 2

Considera previsões do mercado de juros a 12,5% e dólar a R$ 4,30 até o final de 2017.

IPCA acumulado em 12 meses, em %:

cenario 2  - matéria economia Em relatório, Banco Central prevê inflação fora da meta neste ano

Até então, os documentos do órgão apostavam que os ajustes promovidos pelo Ministério da Fazenda neutralizariam os efeitos nocivos do rombo orçamentário sobre a escalada dos preços.

O Banco Central mantém sua taxa de juros em 14,25% desde o fim de julho do ano passado. Somente nas últimas três semanas, as expectativas do mercado para a inflação para este ano começaram a cair.

Os motivos da queda são o aumento do desemprego, que tira o fôlego do consumo, e o barateamento dos produtos importados com o recuo nas cotações do dólar.

Fonte: Folha

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